Divulgação: Bruna Dias

Divulgação: Bruna Dias

 

Diante do diagnóstico de Alzheimer da minha avó, iniciei minha busca por informações sobre a doença e como lidar com ela.
Encontrei  em maioria, relatos tristes e familiares buscando ajuda em blogs como forma de desabafar. Poucas eram histórias positivas ou engraçadas. Não que o Mal de Alzheimer, como o próprio nome já diz, faça bem a alguém. Não que seja fácil ou brincadeira, muito pelo contrário. O Alzheimer é uma doença séria, letal, triste e difícil demais. Mas convivendo com minha avó, ouvindo histórias e participando delas, passei a rir muito das situações mais inusitadas e descobrir como o amor é incrivelmente mágico. Escrevia tudo no Facebook.
Passei a ter muitos curtirs e comentários de amigos me incentivando a escrever o blog e um livro. Nunca imaginei, que escrever sobre tudo que passamos aqui em casa seria tão libertador e nos faria tão bem. Recebi relatos de muitas pessoas, trocamos experiências, vivências, choramos e rimos juntos todos os dias. 🙂

Com a devida autorização da vovó, o blog está novinho em folha. Clique aqui e se divirta!

 

VOVOTEMALZHEIMER.WORDPRESS.COM


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Minha vó sempre foi uma mulher que fez tudo na vida sozinha: criou os filhos, os netos, os sobrinhos, cuidou dos pais, do marido, dos irmãos, da sogra, dos cachorros e gatos, da casa e da própria vida sem precisar de ninguém. Sempre vaidosa de unhas feitas, cabelos arrumados, lápis nos olhos, pó de arroz e muito batom “(batão”, como ela gosta de chamar).

O nome dela é Luiza, mas todos os dias ganha um novo apelido da família (com variações): tia Nena, Neninha, Lu, Lou, Louis, Zazá, Véia, Véinha, Nonna, Nonninha, Vozinha, Vovis, Dona Lulu, entre outros. Ela se diverte com todos eles.

Há cerca de oito anos ela foi diagnosticada com Alzheimer. Tudo começou com alguns pequenos esquecimentos e perguntas não muito habituais que levaram nós e os médicos a desconfiarem. Foram feitos exames clínicos e psicológicos e barabum constatado: vovó tinha Alzheimer.

Mas que merda é essa? Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa ainda sem cura, mas atualmente muito estudada. É conhecida também por demência (apesar de achar essa palavra um pouco confusa, podendo ser muitas vezes mal interpretada), e causa a perda das funções cognitivas (como a memória, orientação, atenção, linguagem e movimentos) devido à morte de células cerebrais. Antes que você surte de preocupação e desespero caso conheça alguém que recebeu este diagnóstico recentemente (não surte!), saiba que é um processo lento, dividido em fases e que existem tratamentos de ponta, remédios e grupos de apoio e orientação que retardam e ajudam muito os pacientes e seus familiares a lidarem com os sintomas da doença.

Não sou especialista no assunto, portanto me aprofundar em termos técnicos e linguajar difícil não é bem o meu foco. Estudando, lendo e conversando com amigos e familiares sobre o Alzheimer, me deparei com muitas (muitas mesmo) informações valiosas que ajudaram, ajudam e poderão ajudar muita gente a entender o que é a doença. Nessa busca, também acabei encontrando relatos tristes, blogs de desabafos chorosos e corações carentes sobre o assunto. Não, não é fácil. Não, não são flores e nem cores. Não, ninguém tira de letra. Sim, é difícil, muito, muito difícil ver alguém que você ama partindo lentamente e por vezes precisar se esforçar para tentar reconhecer essa pessoa dentro daquele corpo que aos poucos perde suas habilidades, memórias e passa a agir como um estranho qualquer. Todos os dias encaramos de frente batalhas a serem travadas, as vezes contra nós mesmos, desgastados, com medo, o choro preso na garganta, com as lágrimas soltas pelos cantos e com a paciência indo embora aos tubos.

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É difícil falar e acreditar em mim mesma quando digo “acredite, você tem forças”. Mas o amor nos dá forças que nem em nossa fértil imaginação sonhávamos ter. Nós levantamos da cama porque simplesmente precisamos levantar, porque a pessoa que você ama e sua família precisam de você.  Porque só depende de nós retribuir. Porque tem dias que choramos e tem dias que, juro, são engraçados. Dias em que estamos frágeis,  fracos e tristes, mas uma simples frase ou um sorriso magicamente acontece e muda tudo.

Como forma de desabafar, comecei a escrever histórias engraçadas que passamos com minha avó e recebi diversos comentários de apoio e ideias sobre escrever um livro e um blog. Essas pessoas não fazem ideia do quanto me fizeram bem. Às vezes tudo que precisamos é de alguém que nos escute, dê um abraço, uma gargalhada espontânea e nos faça assim, enxergar o poder que um sorriso tem. Muitas vezes é difícil enxergar histórias tristes por outros ângulos (principalmente quando somos personagens dela),  mas quando se consegue, é possível alterar o rumo das coisas e isso é maravilhoso.

E é por isso que estou aqui. Pra compartilhar com vocês as histórias mais fofas e engraçadas de uma pessoa que me ensinou que uma doença pode nos fazer perder tudo que temos, menos o amor. Vamos juntos trocar experiências e rir das situações mais inusitadas (e chorar com elas também, porque às vezes simplesmente precisamos chorar copiosamente).

 

 

 

Ilustração do post "Vó, faz carinho?"

Ilustração do post “Vó, faz carinho?”

Ilustração do post "Ano Novo"

Ilustração do post “Ano Novo”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“De todo o amor que eu tenho,

Metade foi tu que me deu
Salvando minha’lma da vida
Sorrindo e fazendo meu eu…”
Dona Cila / Maria Gadú

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