Reinaldo PolitoReinaldo Polito ministrou a palestra sobre o tema “A importância da comunicação presencial”, no 6º Congresso de Gestão Corporativa do ABC, o Conexão Glob@l, onde falou sobre a importância e as diferenças entre a comunicação presencial e a digital.

Polito contou, bem-humorado, histórias pessoais sobre vendas e questionou “Se não fosse a habilidade de um vendedor, a interação pessoal, se tudo fosse trocado por um e-mail, será que a venda teria o mesmo resultado? O que essa comunicação presencial perde, em termos de qualidade e comunicação à distância?”. E completa respondendo: “Perde o melhor de todos os recursos que existem: a naturalidade. Se erramos a técnica mas falarmos com naturalidade, as pessoas acreditam na nossa mensagem. Se formos artificiais, colocamos em dúvida as nossas intenções”.

“A venda é sempre uma excelente oportunidade para que possamos estreitar o relacionamento com os clientes, abrindo portas, prospectando novos negócios”.

Um bom exemplo dado pelo professor e palestrante é o de colocar uma câmera na frente de alguém.  Essa pessoa tende a perder a espontaneidade e a naturalidade. Para que possamos ter naturalidade, é preciso falar com energia.

O professor Polito ministra aulas de oratória há 38 anos e conta que a maneira como você se apresenta faz toda a diferença.  Além da maturidade, emoção e demonstração de conhecimento é preciso ter uma conduta pessoal exemplar, falar e agir da maneira com que estamos falando.

Durante a palestra, ele deu dicas sobre como tornar uma comunicação eficiente. Segundo ele, dentro de um esquema de comunicação encontramos os seguintes elementos:

VOZ – Um ponto interessante é que ninguém gosta de ouvir a própria voz gravada, isso é normal. Quando ouvimos uma gravação ouvimos a voz através de uma vibração do ar, diferente da que estamos acostumados e isso gera estranheza até nos acostumarmos. A voz é sempre muito melhor do que imaginamos. Outro ponto importante é a dicção, a boa pronúncia do som ao falar. Se ao falarmos as pessoas conseguirem entender as palavras que estamos pronunciando, então você cumpriu o seu papel. É possível melhorar e desenvolvê-la através de exercícios, mas desde que haja naturalidade. Você pode colocar um objeto na boca (como por exemplo um lápis), e tentar pronunciar as palavras da maneira mais correta possível. Além destes fatores, outro ponto importante com relação à voz é que, após uma avaliação do ambiente, é preciso determinar o volume da voz apropriado para cada circunstância, falar um pouco mais alto do que o suficiente  e colocar energia na voz. Para falar com um grupo de 20 pessoas, fale como se estivesse falando com 50 ou 60, sempre um pouco mais alto para demonstrar desenvolvimento e disposição. O grande segredo da voz está na alternância que devemos produzir com a velocidade de intensidade, em determinados momentos falar um pouco mais alto e mais rápido para depois falar um pouco mais devagar. Cuidado ao falar na mesma intensidade e velocidade, as pessoas podem dormir depois de alguns minutos.

VOCABULÁRIO – Polito cita pessoas que vão até ele pedindo ajuda com o vocabulário e, ao contarem sua história, encontram todas as palavras necessárias para isso. Portanto, o problema na verdade é a atitude com que temos em relação a ele. Se utilizarmos as palavras do nosso dia a dia ao invés de procurarmos palavras formais, teremos mais facilidade para nos comunicarmos com eficiência. Afaste-se de palavrões, gírias, etc, o vocabulário deve ser simples, prático e objetivo, transportar facilmente a mensagem. Cuidado com os vícios “né”, “ahn”, “certo”, “sabe” e muitos outros, demonstram insegurança pois ao invés de afirmar a pessoa questiona. Outro motivo é ganhar tempo para procurar a sequência do pensamento. Vale usar a pausa silenciosa, que demonstra o domínio sob a apresentação.

EXPRESSÃO CORPORAL – O nosso corpo fala quando estamos em comunicação. O gesto deve, acima de tudo, obedecer a um princípio natural. Quando temos uma ideia ou pensamento, transmitimos uma ordem ao corpo, que obedece em movimento e depois as palavras são pronunciadas. Por isso o gesto vem sempre antes ou junto com as palavras. Não fale o tempo todo com os braços nas costas, nem com as mãos nos bolsos ou braços cruzados. Cuidado com a postura. Olhe por cima da platéia, cabeça levantada, postura prepotente. Não se movimente de um lado para o outro sem parar e nem se apoie sobre uma só perna, mantenha as pernas levemente afastadas e se movimente com objetividade, sem gesticular muito, para recuperar alguma parte de um grupo que começa a se perder e ajudar as pessoas a prestarem atenção. Uma boa dica é utilizar apenas um gesto para cada informação predominante dentro da frase e não para cada palavra. Olhe nos olhos.

Segundo Polito, não existe ouvinte desinteressado, o que existe é um orador desinteressante. Quando falamos, temos todos os nossos recursos à disposição como os citados acima.

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