O escritor Tom Coelho e a contagiante arte de emocionar

Tom Coelho é graduado em Publicidade e em Economia pela USP. Atualmente escreve para mais de 17 países e ministra palestras em grandes empresas há mais de 10 anos na área de Gestão de Pessoas.

Tom Coelho no 6º Congresso de Gestão Corporativa do ABC

Tom Coelho no 6º Congresso de Gestão Corporativa do ABC

Ao ser convidado para o 6º Congresso de Comunicação Corporativa e ao saber que o tema seria Conexão Global, Tom Coelho desenvolveu uma apresentação que abordasse a evolução da área de Recursos Humanos no decorrer dos últimos 50 anos. Para ele, é necessário contextualizar historicamente os cenários político, econômico, social e cultural no Brasil e no mundo para demonstrar que o ambiente conectado em que vivemos hoje é fruto da evolução da própria humanidade, dos fatos e eventos que marcaram este período e promoveram mudanças e  decisões que de alguma forma impactaram cada geração.

Para ele, sempre estivemos conectados, talvez mais localmente até o passado recente. Contudo, a queda das barreiras ideológicas e das fronteiras geográficas, bem como a ampla difusão da informação, conduziu-nos a esta Conexão Global onde o desafio maior passou a ser combater a impessoalidade.

Aos profissionais de RH, que evoluíram de uma função meramente burocrática e operacional, cabe agora o papel essencial de promover o desenvolvimento humano e a integração daqueles que estão sob sua tutela no âmbito das organizações, atuando com uma visão holística. Este é o propósito do que denomino ‘RH Educador‘”, ele explica.

Com esse tema, Tom Coelho entra no palco do Conexão Global convidando o público para esta viagem ao tempo, relembrando os fatos dos últimos 50 anos e o que houve com a política, economia, desenvolvimentos sociais, tecnologia, marketing e cultura, no Brasil e no mundo.

Viver o passado para compreender o presente e assim construir o futuro

O escritor conta sobre o RH Educador como forma de implementar na empresa um formato de desenvolver pessoas e trabalhar todos como parceiros. Ele cita que, do ponto de vista corporativo, o maior desafio de uma empresa é trabalhar o propósito das suas organizações, o valor e a missão. Pois, se as pessoas não perceberem que, através daquela organização elas conseguirão deixar uma semente daquilo que elas ajudaram a plantar e desejam para sua vida pessoal, não tem como conseguir um comprometimento por parte delas. Tom cita ainda que a Visão é aquela perguntinha que fazemos para as crianças “o que você quer ser quando crescer?”. A resposta para essa pergunta lhe dá o significado pra sua vida e indica qual caminho deve trilhar. Valores também são princípios dados pelos seus pais, influenciados pelo meios e circunstâncias. Pelo ponto de vista corporativo você precisa identificar quais são os valores que regem a sua organização e usá-lo para contratar as pessoas. Do ponto de vista de equipe, busque comprometimento e entusiasmo com remuneração, oferecendo também um programa de benefícios, tratamento igualitário, incluindo as pessoas das formas mais amplas e não apenas ética, mas religiosa, sócio-econômica, culturalmente.

O clima organizacional é outro fator que precisa estar muito bem desenvolvido, pois passamos muito tempo no ambiente de trabalho. Assim como é fundamental a valorização dos funcionários, e por último, a celebração. Tom cita a celebração não como grandes festas ou confraternizações, mas como o simples ato de colocar em cima da mesa em uma sexta-feira um bolo de padaria com refrigerante de 2 litros para comemorar alguma coisa. É o evento em si, é a oportunidade de se enlaçar, se aproximar das pessoas.

Sobre a qualidade de vida, Tom lista algumas pesquisas. Em 2007, uma pesquisa entrevistou 500 altos executivos de grandes empresas perguntando se eles eram felizes no ambiente de trabalho e 84% se declarou infeliz. Dois anos depois, uma outra pesquisa foi realizada em 9 países para saber o que era sucesso para as pessoas e metade dos entrevistados respondeu que era o equilíbrio entre a vida profissional e familiar. Uma outra pesquisa realizada em 2011, entrevistou cerca de 30 mil pessoas em 29 países, falando sobre comprometimento e qualidade de vida. No tópico maior, preocupação aparece também equilíbrio profissional e familiar. Em uma última coleta de dados, foi constatado que o número de horas trabalhadas têm crescido continuamente. Trabalhar aos finais de semana, por exemplo, era algo que atingia apenas 1/4 das pessoas, agora esse índice saltou para 87% da população, resultando no nível de insatisfação de todos os respondentes. “Pergunte ao cônjuge dele”, brinca.

Ele complementa que, nos dias de hoje, vivemos em um tempo de muita ansiedade e angústia, de um tempo que não chega. A ansiedade de uma mãe esperando um filho, a angústia de ter um problema na empresa e não conseguir resolver, a ansiedade de um primeiro e enamorado encontro. “No livro ‘O Pequeno Príncipe’, tem uma passagem em que a raposa diz “quando for me visitar, avise-me. Porque se você marcar comigo às quatro horas da tarde, desde as três eu começo a ser feliz”, lembra. É o que acontece também no nosso nível corporativo. A solução para isso é buscar esse equilíbrio que existe não só na vida pessoal, mas também na profissional, saúde, afetiva, cultural, social, material e espiritual.

Tom Coelho acredita que tudo isso precisa estar lado a lado com a paixão. Tem que estar permeado pelo prazer de realizar o seu trabalho com autenticidade, vontade, seja qual for ele. Nós lutamos muito para conquistar algumas coisas e não damos valor depois que as conquistamos.  Dê valor às conquistas, pessoas com as quais você se relaciona, ao seu trabalho. Onde foi parar aquele entusiasmo pela vida?

Para finalizar, ele mostra uma foto que há algum tempo estampou as páginas dos jornais. Nela, uma cadela lambe a face de um bombeiro que a salvou de um incêndio como forma de gratidão por ter salvado tanto a sua vida como também a de seus filhotes. E completa dizendo que os animais possuem uma capacidade de gratidão que, às vezes, nós não conseguimos oferecer. A única forma de lidarmos com isso tudo é através da gratidão. “Todos os dias, quando colocar sua cabeça no travesseiro, mentalmente agradeça“, dz.

Ao final da palestra, uma deficiente visual que assiste a platéia agradece a Tom Coelho pela oportunidade e é retribuída com o mesmo carinho por ele, que acaba incentivando todas as outras pessoas em uma onda de contagiantes agradecimentos.

Caminho a gente traça, desafio a gente enfrenta, vida a gente inventa,

saudade a gente mata e sonho a gente realiza“.

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